Algumas considerações sobre
software para repositórios digitaisA concepção de repositórios digitais como sendo um simples armazenador
estático de informação digital com capacidade de recuperação
foi rapidamente ultrapassada. A ideia original deslocou-se para um
conceito mais sofisticado de sistema de informação que incorpora
a facilidade da comunicação, da colaboração e de outras formas de
interação dinâmica entre usuários de um vasto universo.
Na primeira geração de bibliotecas digitais, quando as coleções
eram pequenas e tinham um caráter essencialmente experimental,
uma grande variedade de programas não especificamente voltados
para aplicações de repositórios digitais foram utilizados, como os
gerenciadores de bases de dados bibliográficos – por exemplo, o Micro-
-ISIS –, e ainda os softwares gerenciadores de banco de dados mais genéricos,
como o MS Access. Nestes primeiros momentos, uma biblioteca
digital, não era nada mais do que uma coleção de recursos eletrônicos
colocados disponíveis numa página Web ou em um CD-ROM.
A situação, entretanto, evoluiu rapidamente: hoje os principais
projetos de bibliotecas e de repositórios digitais estão colocando on-
-line estoques massivos de recursos informacionais em formato digital.
Algumas dessas coleções incluem milhões de objetos e estão sendo
planejadas para gerenciarem um número astronômico de informações
de toda a natureza num futuro bem próximo.
Com a evolução dos repositórios em termos de volume, diversidade
de materiais em formato digital – que se multiplicam cotidianamente
– e de funcionalidades, tendo ainda como perspectiva imediata a
interoperabilidade, se torna crítico que a plataforma tecnológica subjacente
aos repositórios digitais seja capaz de apoiar com desempenho e
confiabilidade a trajetória de complexidade ascendente desses projetos.
Ainda é necessário considerar que o rápido crescimento de tipos
variados de repositórios digitais é um dos primeiros desdobramentos
do desenvolvimento baseado em padrões abertos de arquitetura e de
software. Sem esses padrões, teríamos poucas e caras ilhas de acervos
digitais que só poderiam ser acessadas via sistemas especiais projetados
para cada uma delas.
Entretanto, a tecnologia que envolve os repositórios digitais guarda
uma peculiaridade marcante e positiva que deve ser explorada.
No ciclo de automatização anterior, cujo esforço estava centrado no
desenvolvimento de pacotes de software para automatização de bibliotecas,
a oferta de sistemas estava – e ainda está – dominada por
pacotes comerciais. São raros os programas disponíveis livremente
com qualidade profissional. Em contraste, os principais programas
para criação de repositórios digitais são distribuídos livremente para
uso e para desenvolvimentos posteriores. Este fato é uma consequência
de uma característica quase que comum no desenvolvimento
desses programas: tipicamente eles foram resultados de projetos de
pesquisa que juntaram universidade, agências governamentais, organizações
internacionais e, em alguns casos, empresas e organizações
não governamentais.
Como resultado dessa origem “acadêmica”, há uma oferta considerável
de software de códigos abertos e distribuídos livremente voltados
para a implementação de repositórios digitais de toda natureza. Esses
programas apresentam características sofisticadas, elevado grau de
qualidade e, sobretudo, conformidades aos principais padrões da área,
estabelecendo, dessa forma, as bases para a integração e a interoperabilidade.
A oferta é diversificada, vai desde softwares prontos para
instalação e uso imediato, até pacotes mais próximos a kits de ferramentas
que para serem utilizados demandam recursos de programação
para o desenvolvimento de aplicações e de interfaces. (SAYÃO, Luis, et. al. Implantação e gestão de repositórios institucionais. Salvador: EDFBA, 2009. p. 28-30.)
